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Duas cidades catarinenses e uma gaúcha mostram como harmonizar políticas que beneficiam crianças, adultos e idosos

Por Gilmara Santos e Martha San Juan França

Não só na temporada de verão, quando a cidade fervilha de turistas atrás de suas praias, Balneário Camboriú se destaca. O município catarinense localizado na foz do rio Itajaí, com população de 125 mil habitantes, é conhecido nacionalmente pelo seu alto Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), o segundo de Santa Catarina. É também campeão no anuário As Melhores Cidades do Brasil no grupo Indicadores Sociais e quarto colocado na última pesquisa do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) feita pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) referente a 2010, principalmente pela qualidade de sua educação e saúde.

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A cidade recebe gente de toda parte para morar, sendo o município com maior densidade demográfica de Santa Catarina. Não é mais apenas o paraíso do turista argentino. Além de provenientes do Paraná e do Rio Grande do Sul, muitos migrantes vêm do interior do estado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tornou-se a meca de mais de 20 mil idosos de todo o Brasil. É também um destino concorrido dos universitários que estão atrás de sua reconhecida qualidade de ensino, mas também de outros atrativos como bons restaurantes, casas de shows, passeios e praias. Não por acaso, possui um dos metros quadrados mais valorizados de Santa Catarina.

Para atrair tanta gente, o segredo foi investir em qualidade de vida. Balneário Camboriú é considerada uma cidade tranquila e segura, dotada de boa infraestrutura. Está entre as poucas do País que têm quase 100% de saneamento básico. “Privilegiamos as pessoas e estamos implantando um novo conceito de humanização na cidade”, afirma o prefeito Edson Renato Dias, o Piriquito (PMDB).

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Ele se orgulha da aposta pela mobilidade urbana. Balneário Camboriú possui mais de 30 quilômetros de ciclovias, além de passarelas elevadas nas ruas e transporte público de qualidade. As calçadas são planas, não é necessário descer no meio-fio para fazer a travessia, há guias de orientação para deficientes visuais. A prefeitura investe também em esportes. Balneário Camboriú tem espaço organizado para skate, patinete, corrida, escolas de surfe e academia ao ar livre com atendimento profissional. Bicicleta é meio de transporte, mas também de lazer e prática esportiva.

“Privilegiamos pessoas e estamos implantando um novo conceito de humanização na cidade”
Edson Renato Dias, prefeito de Balneário Camboriú

Segundo a Associação de Ciclismo, o número de ciclistas aumentou 60% entre 2013 e 2014. Na cidade são realizadas etapas tradicionais de circuitos de triatlo, mountain bike e outros. Há atividades esportivas específicas para a terceira idade na praia e centros comunitários onde eles se reúnem para recreação, orientação médica, dança, dominó, viagens, eventos comemorativos e culturais.

“Temos cerca de 20% de idosos na população, quase o dobro da média nacional”, afirma Piriquito. Para atender a esses moradores, a prefeitura criou a Secretaria Municipal da Pessoa Idosa, que está realizando um censo para essa população de modo a traçar novas políticas de acolhimento. “Nosso objetivo é manter a população da melhor idade o mais ativa possível”, diz o secretário Dão Koeddermann.

Além de todas essas características, Balneário Camboriú também pode ser classificada como uma cidade universitária. Com um campus da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e vizinha de Itajaí, cidade com o campus principal da Univali, muitos estudantes escolheram a cidade como moradia durante a faculdade. Fora da temporada de veraneio, um grande número de apartamentos é ocupado pelos universitários, que também movimentam o comércio e a oferta de emprego. Segundo o IBGE, Balneário Camboriú é considerada uma das cidades com maior potencial de consumo do País.

VIVER MUITO E BEM

O jogador de basquete da NBA Tiago Splitter Beims iniciou sua carreira no Ipiranga, clube poliesportivo da cidade de Blumenau (SC). Os programas esportivos governamentais para estudantes estão espalhados por 32 polos de iniciação esportiva da cidade, que conta com 32 bairros. São 16 modalidades esportivas diferentes e a inscrição é livre para todos os estudantes da rede pública ou privada. Ao todo, a cidade conta hoje com 4.261 alunos atletas. “E temos capacidade para mais alunos se inscreverem.

O desafio agora é sensibilizar os estudantes para essas atividades”, diz o prefeito Napoleão Bernardes Neto (PSDB). “As atividades extracurriculares, que descobrem as habilidades de cada um, são tão importantes quanto a educação escolar, por isso esse investimento em ações também para fora do período de aula”, explica o prefeito. A atuação no esporte contribuiu para que Blumenau ficasse em primeiro lugar no grupo Indicadores Sociais, entre as cidades de grande porte. Além dos esportes, o município está preocupado também em dar boa qualidade de vida aos idosos. Isso já lhe garantiu o título de campeã nacional em longevidade, com os cidadãos vivendo, em média, 78,6 anos, enquanto a média nacional é de 74,8 anos.

Os dados fazem parte do Atlas de Desenvolvimento Humano divulgado em 2013. Entre os benefícios disponíveis para essa parcela da população, estão coral, teatro, hidroginástica, dança, tai chi chuan, entre outros. “Ao todo, são 43 opções de atividades para idosos no município. É importante que se viva muito, mas que se viva bem e estamos trabalhando para assegurar isso à população de Blumenau”, afirma Bernardes Neto.

“Tão importantes quanto a educação escolar, são as ações fora do período de aula” Napoleão Bernardes Neto, prefeito de Blumenau

“Tão importantes quanto a educação escolar, são as ações fora do período de aula”
Napoleão Bernardes Neto, prefeito de Blumenau

Em relação à saúde, o prefeito conta que pequenas ações já garantiram grande reflexo no atendimento diário em pronto-socorro. “Observamos que a concentração de atendimentos ocorria entre as 17 e as 22 horas, porque é o período em que as pessoas podem ir ao médico e nem sempre é caso para pronto-socorro. Então, ampliamos o horário de atendimento nos ambulatórios e isso desafogou o pronto-socorro”, explica o prefeito. Foram 35 mil atendimentos só no horário estendido nos laboratórios em dois anos e meio de mandato.

Uma preocupação do município, e que se estende por todo o País, é com o emprego. Em Blumenau, a prefeitura, em parceria com empresas e entidades de classe, prepara os jovens para o mercado de trabalho. No caso do segmento de tecnologia da informação (TI), 80% dos jovens pegam o diploma e já estão com emprego garantido. “E na primeira oportunidade de trabalho já começam ganhando mais do que a renda familiar”, conta.

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Para as donas de casa, o município conta com 123 clubes de mães, que dão suporte a mulheres que querem seguir com atividades autônomas, com palestras, cursos e uma feira para expor os trabalhos manuais.

COMO SE FAZ EM CASA

Administrar a cidade com o mesmo esmero que cuida da sua casa. Essa é a receita do prefeito de Carlos Barbosa (RS), Fernando Xavier da Silva (PDT), para fazer uma boa administração. “O município, porém, não é uma ilha. Temos que estar atentos também ao que acontece em todo o Brasil”, ressalta o chefe do Executivo. Carlos Barbosa foi a primeira colocada entre as cidades de pequeno porte no grupo Indicadores Sociais, que avalia itens como qualidade de vida, educação, habitação, responsabilidade social,
atenção ao jovem e desenvolvimento humano. Empenho conjunto com a população. “Ao longo do tempo, temos trabalhado para mobilizar a sociedade para tirar a ideia de que o governo é o único responsável pelo desenvolvimento do município. Temos que trabalhar também com o entusiasmo da população e procurar fazer da melhor forma possível o nosso trabalho, no que diz respeito à educação, saúde e também com a cobrança justa de impostos para devolver em serviços para a população”, considera Silva.

Com 25.898 habitantes, o município abriga duas empregadoras centenárias: Tramontina e cooperativa Santa Clara. A primeira iniciou suas atividades em 1911, quando Valentin Tramontina chegou à cidade para montar o seu próprio negócio. Um século depois, a empresa tem dez unidades fabris e está presente em mais de 120 países. Também em 1911 nascia no município a cooperativa Santa Clara. Criada por pequenos produtores rurais imigrantes europeus, a pequena queijaria produzia queijo e manteiga, inicialmente denominada Latteria Santa Chiara. Hoje, a cooperativa está presente em dez municípios, capta leite em mais de 100 cidades, tem 5.000 associados e 1.900 trabalhadores.

Carlos Barbosa é sede da Cooperativa Santa Clara de laticínios

Carlos Barbosa é sede da Cooperativa Santa Clara de laticínios

“Incentivo técnico para a modernização também tem sido um dos nossos pilares. Somos pioneiros, por exemplo, na inseminação artificial do rebanho leiteiro”, afirma o presidente da cooperativa, Rogerio Bruno Sauthier.

De acordo com o prefeito, todas as crianças do município estão na escola e são transportadas à custa do poder público local. A cidade passará a contar ainda com a segunda escola de tempo integral. Além disso, não há fila de espera nas creches da cidade. “Além das vagas públicas, temos também vagas terceirizadas”, explica Fernando Xavier da Silva. E está em construção mais uma creche. A intenção é que a partir de 2016 todas as crianças com idade entre 4 e 5 anos estejam na pré-escola. “Educação é nossa prioridade. Não pode haver cortes nessa área em nenhuma hipótese. ”. Na área da saúde, a cidade conta com um hospital comunitário, que tem o apoio administrativo da prefeitura.

“Sem qualificação profissional não há oportunidade de trabalho”
Fernando Xavier da Silva, prefeito de Carlos Barbosa

A instituição possui cerca de 40 leitos e, exceto por cirurgias traumáticas, o tempo de espera por um procedimento na cidade varia entre 120 e 180 dias, dependendo da especialidade. Para o prefeito, o Sistema Único de Saúde (SUS) deveria trabalhar por produção para garantir um desempenho melhor do funcionalismo. O baixo índice de desemprego do município também se destaca. A taxa é de cerca de 5% e só não é ainda menor por falta de mão de obra especializada.

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A cidade, que tem menos de 30 mil habitantes, conta com uma frota de 18 mil veículos. “A sociedade aqui poupa muito e tem recurso para a aquisição de carro e reformas constantes em suas casas”, diz Fernando Xavier da Silva. Uma preocupação do prefeito é com a migração para o município. “Temos recebido muitas famílias nas últimas semanas. E, assim como na nossa casa, quando chegam poucas pessoas conseguimos receber, mas se vem um grupo grande fica mais complicado”, afirma Silva, que explica que moradia na cidade é uma questão delicada, já que o metro quadrado no município é caro e não se enquadra no programa federal Minha Casa, Minha Vida. “E sem qualificação profissional não há muitas oportunidades de trabalho”, alerta.

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One Comment

  1. Dailva Bezerra da silva
    1 ano ago

    por favor gostaria de receber a posição do meu municipio de são paulo do potengi – rn
    e seus indicadores(resultaldos pesquisados,

    Reply