Pujança no centro do País

Rondonópolis, Campo Grande e Porto Nacional, na Região Centro-Oeste, destacaram-se pelo crescimento na economia e nos negócios

Por Gilmara Santos e Martha San Juan França

Capital de Mato Grosso do Sul, Campo Grande enfrenta o desafio da transição de uma cidade média, atualmente com cerca de 840 mil habitantes, para uma capital de grande porte, prestes a atingir a marca de 1 milhão de moradores. “Nosso principal objetivo é crescer como uma capital segura, ‘ideal para criar os filhos’, como muitos dizem, e ainda assim evoluindo economicamente, por meio do desenvolvimento de setores que ainda têm grande espaço para crescer, como a indústria”, afirma o prefeito Gilmar Antunes Olarte (PP).

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Durante as últimas décadas, o município experimentou um importante crescimento populacional. Seu número de habitantes se multiplicou por cinco entre 1970 e 2010. A expansão econômica seguiu na mesma proporção, o que lhe garantiu a primeira colocação na classificação geral e entre os municípios de grande porte no grupo Indicadores Econômicos do anuário As Melhores Cidades do Brasil.

O setor terciário é a sua principal atividade econômica. As empresas de comércio e serviços concentradas na cidade representam 37,74% do total de firmas existentes em todo o Mato Grosso do Sul, explica Olarte. Além disso, 41% das empresas ativas no estado estão em Campo Grande. A capital sul-mato-grossense conta com 75.907 companhias ativas, de um total de 183.369 no estado. Para ter uma ideia da evolução no número de novas sociedades no município, em 2002, foram constituídas 2.428 empresas, alcançando em 2013 a marca de 9.460 empresas.

Com relação ao crescimento industrial de Campo Grande, o prefeito recorre a dados da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems). Eles mostram que, de 2009 até 2014, o número de fábricas na cidade vem evoluindo. Em 2009, o município mantinha 2.939, saltando em 2014 para 3.949. A cidade concentra 34% do total de indústrias do estado.

Rondonópolis é rota de escoamento de produtos do Centro-Oeste para o porto de Santos

Entre as ações que contribuíram para esse crescimento está o Programa de Incentivos para o Desenvolvimento Econômico e Social de Campo Grande (Prodes), que oferece benefícios fiscais e incentivos ao investidor, entre eles doação de áreas, apoio institucional e infraestrutura. O programa já criou mais de 30 mil empregos.

Além de estar de olho no setor industrial, o município tem apostado no comércio exterior. “Em 2010, Campo Grande chegou a exportar US$ 316,7 milhões e em 2014 atingiu a marca de US$ 528,1 milhões”, conta Olarte, citando dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento. Outro ponto positivo é que foi alcançado superávit na balança comercial local de US$ 37,1 milhões no período. Há quatro anos, as importações registraram valores da ordem de US$ 243 milhões, chegando em 2014 a US$ 491 milhões.

Na escala de produtos exportados, os dados revelam a carne bovina e as congeladas como as responsáveis por um volume embarcado de US$ 113 milhões em 2014. De janeiro a maio de 2015, somaram US$ 54 milhões. O produto couro gerou US$ 40 milhões em volume exportado em 2014 e alcançou, nos primeiros cinco meses de 2015, a marca de US$ 22 milhões.

A cidade conta ainda com a quarta maior população economicamente ativa do estado. O rendimento médio mensal das pessoas de 10 anos ou mais de idade é de R$ 1.710,06 — 14° maior rendimento entre as capitais brasileiras. E, entre 2010 e 2014, de acordo com o Ministério do Trabalho e do Emprego, Campo Grande gerou 41.375 vagas em diversos setores. No ranking de geração de empregos entre as capitais, o município ocupa a 13ª colocação.

04De grão em grão para a indústria

Há quem diga que Rondonópolis (MT) é a mais espetacular história de sucesso do campo brasileiro. Nos anos 1980, era chamada de capital nacional do agronegócio devido a sua alta produção de soja. Já ultrapassou essa fase. Hoje, desponta como a mais nova promessa de crescimento industrial de Mato Grosso e do Brasil e a agricultura deixou de ser a sua vocação exclusiva. Isso porque a lucratividade gerada pelos grãos atraiu uma nova leva de investimentos. A cidade de pouco mais de 200 mil habitantes representa um importante polo de desenvolvimento que atende mais de 30 municípios e cresce com infraestrutura, tecnologia e busca cada vez mais qualificação profissional.

No anuário As Melhores Cidades do Brasil, Rondonópolis é o município de porte médio com melhor classificação no grupo Indicadores Econômicos, com destaque para padrão de vida, qualidade de emprego e desempenho do comércio e das exportações. “Somos um município em construção, cada dia temos mais comércio, mais trabalho, mais demanda”, afirma o prefeito reeleito Percival Muniz (PPS). “O poder público vai atrás para atender todo mundo, precisamos de mais escolas, mais pavimentação, mais posto de saúde.”

Rondonópolis detém o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso, atrás apenas de Cuiabá. Por sua posição estratégica, a cidade tornou-se um centro prestador de serviços, com comércio intenso, loteamentos residenciais novos com asfalto, esgoto e água, hotéis, shoppings, centros de tratamento médico e ensino universitário. Além de faculdades particulares, tem um campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), aeroporto com voos diários para Cuiabá, Campo Grande e outros destinos.

“Somos um município em construção, cada dia temos mais comércio, mais trabalho, mais demanda”

Percival Muniz, prefeito de Rondonópolis (MT)

“Há carência de mão de obra, principalmente qualificada”, admite o prefeito. Daí os programas em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de preparação de técnicos em diversas áreas. Muniz cita o polo têxtil, com mais de cem pequenas empresas que demandam costureiras e outros profissionais. A cidade dispõe também de indústrias de esmagamento e refino de óleo vegetal, frigoríficos, usinas de álcool, açúcar e biodiesel; indústria de insumos agrícolas básicos, agroquímica e de cerveja. Mais recentemente, começou a receber investimentos no setor de metalurgia.

Porto Nacional recebe grandes empresas atraídas por sua localização; à dir., Campo Grande, onde estão instaladas 34% das indústrias da região

Porto Nacional recebe grandes empresas atraídas por sua localização; à dir., Campo Grande, onde estão instaladas 34% das indústrias da região

Situada na região de maior produção de grãos no Mato Grosso e no entroncamento com São Paulo, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, Rondonópolis recebe boa parte da produção de soja, milho, algodão, látex, carne (bovina e suína) e aves da região. A 28 quilômetros do centro da cidade fica o Complexo Intermodal, obra destinada a melhorar a logística de escoamento da produção do Centro-Oeste. O complexo utiliza a ferrovia que vai até o porto de Santos, mas, para chegar até lá, a principal rota de escoamento é a BR-163, que começa agora a ser duplicada, o que deve diminuir um dos principais problemas locais: o tráfego provocado pela quantidade imensa de caminhões.

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Localização estratégica

Às margens do rio Tocantins, Porto Nacional vive um momento de grande desenvolvimento, principalmente por sua localização estratégica. Situada no centro do estado de Tocantins, a 52 quilômetros da capital Palmas, a cidade espera ser o centro de toda a integração de transportes por acesso rodoferroviário para o escoamento da produção das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste para o Sul e Sudeste do País e por meio do porto de Barcarena, no Pará, e Itaqui, no Maranhão.

“Vivemos um bom momento, com rodovias para todos os lados e o funcionamento da Ferrovia Norte-Sul até Açailândia, no Maranhão”, diz o prefeito Otoniel Andrade (PSDB), em sua segunda passagem pelo cargo. “Temos no municípioo um aeroporto completo e bem equipado e ainda em via de ser ampliado e, no modal hidroviário, vamos ser privilegiados pela proximidade do rio Tocantins.”

 

Nos últimos anos, a logística de transporte e a infraestrutura da região, somadas aos incentivos fiscais oferecidos pelo estado e pelo município, favoreceram a vinda de grandes empresas em Porto Nacional. Em todo o município, o número de companhias nos setores industrial, comercial e de serviços cresceu 25,2% de 2002 para 2013, segundo levantamento da prefeitura. A produção de grãos também aumentou cerca de 27%, chegando a 586 mil toneladas na última safra e estima-se que seja da ordem de 640 mil toneladas na safra 2014/15, o que representa mais de 16% de toda a produção de Tocantins.

O maior investimento é no distrito de Luzimangues, onde está instalada a Plataforma Multimodal da Ferrovia Norte-Sul para a armazenagem e comercialização de grãos, fertilizantes e combustíveis. Quando em pleno funcionamento, o terminal terá capacidade para 60 mil toneladas e poderá descarregar até 30 caminhões por hora. É lá que estão instaladas as grandes empresas. Só a Granol, dedicada à produção e comercialização de soja, investiu R$ 380 milhões em uma unidade de beneficiamento de grãos inaugurada neste ano.

A Raízen inaugurou sua base no Distrito Agroindustrial no ano passado, com o objetivo de receber diesel e gasolina do Porto de Itaqui, em São Luís, por trem, e retornar com etanol obtido de usinas instaladas no norte de Goiás. O investimento foi da ordem de R$ 40 milhões. A Agrex, subsidiária da Mitsubishi, inaugurou uma unidade de transbordo de grão com investimento de R$ 25 milhões, destinado a processar e movimentar cerca de 250 mil toneladas de grãos que serão posteriormente exportados pelos portos da Região Norte.

“Acenamos com incentivos e estrutura para atrair mais investimento”

Otoniel Andrade, prefeito de Porto Nacional (TO)

A chegada dessas grandes empresas contribuiu para a geração de emprego e renda no município, que conta com o quarto maior PIB do estado e conseguiu a melhor classificação no grupo Indicadores Econômicos entre as cidades de pequeno porte do anuário As Melhores Empresas do Brasil. A prefeitura se empenha em tornar o distrito de Luzimangues uma Zona Especial de Negócios (ZEN), área de industrialização privada para instalação de empresas em um terreno de 100 mil metros quadrados ao lado do Pátio Multimodal, com infraestrutura de esgoto, asfalto, energia e tratamento de resíduos. “Acenamos com incentivos e infraestrutura para atrair mais investimentos”, afirma o prefeito.

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A qualificação da mão de obra também é motivo de preocupação. A proposta é melhorar a infraestrutura das escolas públicas da educação básica para a elevação dos índices de desempenho, e a melhoria do sistema de saúde com a construção de novas unidades básicas de saúde (UBS) e a ampliação do centro de especialidades médicas do município. Porto Nacional também conta com universidades privadas, um campus da Federal de Tocantins e bons cursos voltados para setores do empreendedorismo, inclusive na área de logística.

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