Por municípios mais sadios

São Paulo, Passo Fundo e Salto de Pirapora desenvolvem programas que enfrentam as carências do atendimento médico no País

Por Gilmara Santos e Martha San Juan França

O lema no brasão oficial do município de São Paulo, Non ducor, duco, frase latina que significa “Não sou conduzido, conduzo”, tem sido seguido à risca pelo município. Maior cidade do País, a capital paulista é também o principal centro financeiro, corporativo e mercantil da América do Sul, a mais populosa do continente americano e a cidade brasileira mais influente no cenário global, sendo considerada a 14ª mais globalizada do planeta.

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São Paulo abriga também os principais hospitais do País, tanto da rede pública quanto privada, e recebe pacientes de todas as partes do Brasil para realizarem tratamentos mais sofisticados. No anuário As Melhores Cidades do Brasil, ficou com a primeira colocação no subgrupo Saúde, tanto na categoria geral quanto entre os municípios de grande porte.

Com base no Censo Populacional 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a capital paulista abriga 2.541 estabelecimentos de saúde — privados e públicos. São 26.273 leitos, o que dá à cidade o montante de 433 habitantes por leito. O número parece alto, mas, considerando o tamanho da cidade, coloca São Paulo bem próximo da recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que sugere, em média, três leitos para um grupo de 1.000 habitantes. Levando-se em conta esse parâmetro, a capital paulista tem 2,3 leitos para cada grupo de 1.000 habitantes.

Conforme informações da Secretaria Municipal da Saúde com base em dados deste ano, os números são ainda melhores, mas é preciso considerar que houve também aumento da população. A cidade tem 5.734 leitos, divididos nos 18 hospitais municipais, somados aos leitos conveniados. A Secretaria do Estado da Saúde, por sua vez, conta com 11.856 leitos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Há ainda outros leitos, não-SUS, que totalizam mais 17.345 unidades.

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Para ter uma ideia, em 2012, 4,8 milhões de pessoas foram atendidas em consultas de urgência e emergência. Em 2013, esse número pulou para 5,2 milhões, mantendo-se a média em 2014. “O Brasil avançou muito nos últimos dez anos no que diz respeito a políticas sociais. Na área da saúde, teve conquistas importantes: tornou-se referência mundial em programas de prevenção à aids, consolidou o Sistema Único de Saúde previsto pela Constituição para ampliar o acesso ao tratamento médico e superou quase todas as metas dos Objetivos do Milênio”, afirma o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT).

“São Paulo, como a maior cidade do País, acompanhou esses avanços. Ainda temos muitos desafios, pois atender as demandas de uma metrópole com essas dimensões não é trivial, mas devemos reconhecer as melhorias na área de saúde”, destaca Haddad. Entre os avanços conquistados pelo município, o chefe do Executivo municipal cita a Rede Hora Certa, criada para ampliar a quantidade de consultas médicas com especialistas, exames eletivos e pequenas cirurgias. “As unidades Hora Certa contribuíram para diminuir pela metade a fila para a realização de exames pela rede municipal.”

Outra conquista importante, avalia Haddad, foi a reestruturação das carreiras de saúde, que possibilitou aumento salarial significativo para os servidores. “Eles estavam há oito anos sem reajuste e passaram a ter seu trabalho reconhecido e valorizado, o que só trará impactos positivos na qualidade do atendimento ao cidadão”, diz. “Saúde, portanto, é uma das prioridades da atual gestão da prefeitura. Nossos objetivos são ampliar o acesso aos serviços, aperfeiçoar a qualidade do atendimento à população e fortalecer a atenção integral da saúde. Esperamos avançar ainda mais até o fim de 2016.”

Alta complexidade

Não é surpresa que Passo Fundo (RS) tenha obtido a melhor classificação na área de saúde entre os municípios de porte médio. Na cidade estão instalados nove hospitais, entre eles o São Vicente de Paulo, referência em medicina comunitária e de alta complexidade, serviços ambulatoriais, oncologia, transplantes e engenharia biomédica, além de ser o único banco de tecidos ósseos do Rio Grande do Sul. Por tudo isso, Passo Fundo é considerado o principal polo de saúde de alta complexidade para toda a região norte do estado, atendendo não só a população local, mas também dos municípios vizinhos e até de outros estados do Sul.

“Na esteira das unidades de ensino vêm os profissionais especializados”

Luciano Azevedo, prefeito de Passo Fundo

Além disso, a cidade abriga três faculdades de medicina e de outras áreas de saúde nos campus da Universidade de Passo Fundo (UPF), da Universidade Federal Fronteira do Sul (UFFS) e da Faculdade Meridional (Imed), esta última da iniciativa privada. “Na esteira dessas unidades de ensino, vêm os profissionais especializados”, diz o prefeito Luciano Azevedo (PPS). Apesar disso, ele lembra que o município sofre como todos os outros com a falta de atendimento da saúde da família. E destaca o currículo do curso de medicina da UFFS como um diferencial, pois privilegia o atendimento nas unidades básicas de saúde e a atuação na rede pública.

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A prefeitura entregou sete novas unidades básicas em dois anos e mais duas estão quase prontas. Além disso, Passo Fundo recebeu seis médicos, quatro cubanos e dois brasileiros formados no exterior, como parte do Programa Mais Médicos do governo federal para trabalhar nas unidades básicas de saúde de bairros carentes. Segundo o secretário de Saúde, Luiz Artur Rosa Filho, médico sanitarista e professor da UPF, com isso, o atendimento primário está completo, mas ainda persiste a falta de especialistas na rede pública.

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Programa de descentralização de distribuição de medicamentos é uma das apostas de Passo Fundo

A prefeitura criou vários programas para a prevenção de problemas de saúde. Entre eles, o Vacinação em Casa para pessoas com mais de 60 anos e dificuldade de locomoção que não têm condições de ir até uma unidade de saúde. E o Olhar de Criança, que cuida da visão de estudantes com idade entre 3 e 6 anos, matriculados nas escolas da rede municipal de educação infantil de Passo Fundo. O foco do trabalho é melhorar o aprendizado das crianças em sala de aula com a prevenção de possíveis problemas de visão.

“Nossa maternidade atrai gestantes de outros municípios”

Santelmo Xavier Sobrinho, prefeito de Salto de Pirapora

Além disso, a prefeitura criou em 2013 o Programa Meu Bebê, Meu Tesouro com a intenção de reduzir a taxa de mortalidade infantil e auxiliar no pré-natal desde o diagnóstico da gestação até o primeiro ano de vida do bebê. “Em 2014, a taxa de crianças que morreram antes de completar 1 ano de idade caiu 25,7% em relação a 2012”, afirma Luciano Azevedo. O programa incluiu atendimento nas unidades de saúde da família, consultas de pré-natal e puericultura com ginecologistas e pediatras e visitas mensais nas casas dos recém-nascidos com as equipes dos hospitais de Passo Fundo.

 

O prefeito considera importante também o programa de descentralização de distribuição de medicamentos, voltado para a população que mora distante das farmácias, dos Centros de Assistência Integral à Saúde ou Estratégias Saúde da Família. São 11 farmácias públicas, sendo uma móvel, dentro de um furgão. “O programa oferece todos os medicamentos da lista básica, além de servir como base de dados para observar as necessidades do sistema de saúde como um todo”, diz o prefeito. O farmacêutico da prefeitura percorre os bairros e a rota do furgão é divulgada nos programas de rádio comunitária.

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São Paulo realizou cerca de 52 milhões de consultas de emergência e urgência durante todo o ano passado

Em 2014, Passo Fundo ganhou o Prêmio de Gestor Público devido ao Programa Meu Bebê, Meu Tesouro, concorrendo com projetos e programas dos 497 municípios do Rio Grande do Sul, destinado a iniciativas inovadoras que apresentam resultados positivos para as comunidades gaúchas.

Modelo de maternidade

A demanda é grande, apesar de Salto de Pirapora (SP) investir bastante na área de saúde e possuir a maior taxa de leitos hospitalares em relação ao número de habitantes entre os municípios de porte pequeno, elencados no anuário As Melhores Cidades do Brasil. E os motivos são vários. Entre eles, a falta de médicos nos sete postos de saúde básica. A dificuldade de contratação na região metropolitana de Sorocaba, onde Salto de Pirapora se situa, deve-se à concorrência de cidades maiores. Agora, em parte, o problema foi resolvido com a chegada de três profissionais cubanos do programa Mais Médicos, bem avaliados pela administração municipal e pelos usuários das unidades de saúde. Eles vêm se somar aos outros profissionais que trabalham no SUS.

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A prefeitura também restaurou o prédio da Maternidade Municipal, que estava desativado, e comprou equipamentos novos. “Tornou-se um estabelecimento modelo que atende até gestantes de outros municípios”, afirma o prefeito Santelmo Xavier Sobrinho (PMDB), em seu quarto mandato à frente do município. Ele conta que, antes, as gestantes tinham que se deslocar até Sorocaba e dependiam de ambulâncias e até de viaturas.

Ultimamente, a Santa Casa voltou a fazer cirurgias e atende emergências. A prefeitura abriu licitação para construir um hospital municipal com 60 leitos na cidade que funcionaria como uma unidade de Assistência Médica Ambulatorial (AMA), atendendo problemas de saúde de baixa e média complexidade, enquanto as outras unidades de saúde realizam atividades de promoção, prevenção e assistência.

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