Itajaí, a campeã entre as médias

O município cresceu com as atividades portuárias e procura diversificar-se economicamente para consolidar sua expansão

Por Carlos Dias

IECIDADES_1Lugar_pag42a44_46_Itajai-1Se um historiador resolvesse escrever a história da cidade de Itajaí (SC) nas últimas duas décadas, provavelmente citaria a reconstrução do porto local e sua importância para o comércio exterior brasileiro. Mas esse seria apena s um dos ingredientes. Uma gestão pública eficaz e uma forte participação da iniciativa privada também foram elementos determinantes nesse cenário.

 

É o que pensa o atual prefeito Jandir Bellini (PP), cujo currículo está fortemente ligado à cidade. Ele está no seu quarto mandato, sempre pelo mesmo partido. “Não há dúvida de que o Porto de Itajaí foi o grande fator de desenvolvimento nos últimos 20 anos, mas há outros elementos. Houve também um trabalho importante de atração de capital privado, de gestão da máquina pública, fundamental para o desenvolvimento de cidade”, explica.

 

 

Itajaí foi eleita pelo anuário As Melhores Cidades do Brasil como campeã geral entre os municípios de médio porte. Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o município possui cerca de 200 mil habitantes, divididos em 49% homens e 51% mulheres. Sua área total é de 288,3 quilômetros quadrados, dos quais 100 de área urbana e 188 de territórios ocupados com atividades rurais. “Temos uma topografia invejável, com praias e uma proximidade logística de 80 quilômetros da capital, Florianópolis”, diz o prefeito.

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Reforço no caixa

Os dados econômicos de Itajaí impressionam. Em 1997, em seu primeiro mandato, Jandir Bellini tinha em caixa R$ 47 milhões. Em 2015, o orçamento da cidade está estimado em R$ 1,2 bilhão, ou 25,53 vezes a mais de quando dirigiu a cidade pela primeira vez.

“Obviamente, tivemos um crescimento do comércio exterior e toda a reativação do porto, que foi municipalizado naquela época, quando estava praticamente quebrado. Mas também houve um intenso trabalho, uma política de incentivos para que as empresas viessem se instalar aqui, uma união de capital com trabalho. Sem que isso se tornasse uma política barata, demagógica, mas sim de intenso diálogo entre governo e empresas”, salienta.

Esse trabalho de atração de capital privado deu certo. Em 2014 foram abertas no município 22.507 empresas, um recorde no estado em um contexto relevante, quando a economia brasileira já dava sinais de desaquecimento. O reflexo em geração de empregos foi imediato. Hoje, Itajaí é a primeira cidade em Santa Catarina em geração de trabalho, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Bellini lembra que, hoje, o maior centro atacadista está localizado no município. “A logística do porto e das grandes cidades acaba atraindo grupos atacadistas, grandes supermercados e centros de loja”, explica. Ele acrescenta que há também uma gama de empresas prestadoras de serviços, o que confere à cidade um bom reforço de caixa em arrecadação de Imposto sobre Serviços (ISS) — o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é a primeira fonte de receita.

Surfe, praias e diversão aos jovens. Tudo isto a 80 quilômetros de Florianópolis

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“A indústria têxtil e a metalmecânica também são muito representativas. Indústria naval e náutica, então, nem se fala, somos referência nacional. Outro orgulho nosso é o de sermos o maior porto pesqueiro da América Latina, abrigarmos a indústria de petróleo com a Petrobras, os estaleiros”, explica.

Novos desafios

Não faltam novos projetos para acelerar o crescimento de Itajaí. Um deles é a Nova Bacia de Evolução do Complexo Portuário do Rio Itajaí-Açu. O trabalho está em andamento, sob a batuta da Secretaria de Estado da Infraestrutura (SIE), que em setembro de 2014 publicou aviso de licitação para a primeira etapa das obras dos novos acessos aquaviários ao Complexo Portuário do Itajaí.

Trata-se de concorrência pública regida pelo menor preço, em regime de empreitada por valor unitário. O objeto da licitação é a execução da reestruturação do canal de acesso, o que deve proporcionar maior escoamento ao porto e aos terminais.

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Outro projeto em andamento chama-se Distrito de Inovação. É o primeiro dos 12 que serão instalados em Santa Catarina. De acordo com informações fornecidas pela prefeitura, consiste na união de interesses públicos e privados e na realização de investimentos em parceria, permitindo a urbanização de áreas com conceitos modernos e fundamentados em critérios de sustentabilidade. O objetivo é viabilizar a implantação de empresas aos municípios. No caso de Itajaí, o distrito será implantado em terreno adquirido pela prefeitura, cuja meta é o desenho de uma área industrial na cidade.

Porto Esportivo

Na agenda do prefeito Jandir Bellini está o Porto Esportivo de Itajaí – Marina. O projeto é uma Parceria Público-Privada (PPP), com período de concessão de 25 anos, renovável por igual duração.

Serão 846 vagas, sendo 353 secas e 493 molhadas. Quando finalizada, ainda em 2015, a obra gerará 1,6 mil empregos diretos e indiretos e proporcionará completa infraestrutura de apoio às embarcações, espaço gastronômico e espaço comercial.

Itajaí vai além do porto e belas paisagens, com interesse das empresas por logística privilegiada

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Em um marketing bem costurado, a prefeitura de Itajaí informa que a cidade expandiu seu leque de empresas ao atrair grandes e importantes investidores nacionais e multinacionais, tais como Estaleiro Azimut, Grupo P2 Oceana Estaleiro, Consórcio MGT TKK e DM, Bunge, GDC, Votoran, APM Terminals, Estaleiro Detroit, Martini Meat, Arteplas, Petrobras, Arfrio, Braskarne, BRF, Exterram, Pepsico, Brasfrigo, Multilog, Teporti, Flora, Italages, Cugnier, Klabin e Poly.