Com a casa em ordem

Carmópolis de Minas, Parnamirim e Lagoa Santa canalizam recursos para reduzir o déficit de moradia de seus cidadãos

Por Carlos Dias, Gilmara Santos e Martha San Juan França

Carmópolis de Minas (MG) abriga quatro sítios arqueológicos, onde são encontrados petróglifos — rochas originárias do período da pré-história, que contêm inscrições gravadas em sua superfície. A cidade tem ainda uma Estação Ecológica da Mata do Cedro, que possui 1.563 hectares e é uma importante área de proteção e preservação do bioma Mata Atlântica. Isso sem falar da Serra da Laje, um ponto de encontro para a prática de escalada e rapel. Além de belíssimas cachoeiras. Mas é no quesito habitação que se destacou no anuário As Melhores Cidades do Brasil. Levou o prêmio tanto entre os municípios de pequeno porte quanto na classificação geral.

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Existem dois projetos para a construção de casas populares na cidade. Um de 183 moradias, outro de 60. “Ao realizar esses projetos, metade da demanda habitacional no município será atendida”, diz o prefeito Geraldo Antonio da Silva (PSD). Motivo de orgulho é o fato de que toda a cidade conta com serviço de coleta de lixo, bem como de coleta seletiva, e todos os moradores possuem energia elétrica.

Já em relação ao abastecimento de água, o prefeito explica que, até abril de 1981, o serviço era precário, atingindo apenas as casas das ruas centrais. Não havia água tratada, pois o líquido vinha através de cano de ferro das Minas do Morro do Tanque e era distribuído à população sem nenhum cuidado. “Hoje, o sistema é amplo e toda a população recebe água tratada. Houve também crescente melhoramento no sistema de esgoto, 98% dele tratado”, diz Antonio da Silva, ao destacar que, com o eficiente serviço de água e esgoto, houve uma perceptível melhora nas condições de saúde e de vida da população.

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No entanto, ainda há muito o que fazer. “Devido à escassez hídrica vivenciada recentemente, existem algumas comunidades rurais que solicitam a instalação e o encanamento de água. Talvez seja essa uma das necessidades evolutivas.”

Localizada no centro-oeste de Minas Gerais, Carmópolis está aliada ao sistema viário de rodovia, que liga a cidade aos principais centros urbanos do País e outras importantes cidades do estado pela BR 381, beneficiando, assim, o seu crescimento.

A economia do município baseia-se principalmente no setor de hortifrutigranjeiros e na agropecuária. Carmópolis está entre os principais produtores de tomates de Minas Gerais, com aproximadamente 8.000 toneladas por ano. A agricultura no município teve início por volta de 1700, quando a região recebeu os primeiros brancos, bandeirantes paulistas e portugueses, que, em debandada ao sertão goiano, deixaram alguns remanescentes cuidando da lavoura, para garantirem o suprimento durante o regresso.

Para sua surpresa, quando voltaram, encontraram o local já desenvolvido e foi servido até pão, manufaturado com trigo de plantio local. “Tamanha foi a alegria e espanto dos viajantes, que teriam exclamado: ‘Já há pão’, o que dito rapidamente resultou em ‘Japão’. Assim, se explica o primitivo nome local”, conta o prefeito. Só em 1948, com a emancipação, a cidade recebeu o nome de Carmópolis de Minas. O nome cidade (pólis) do Carmo homenageia sua padroeira Nossa Senhora do Carmo e remete ao Monte Carmelo, por sua topografia montanhosa.

“Além da cultura do tomate, destacamos também indústrias em pleno funcionamento. Entre elas a Metalúrgica Fercar, a Copobrás Descartáveis, a Gelocar Refrigeradores, além de indústrias de móveis, entre outras”, diz Geraldo Antonio da Silva.

Terra de oportunidades

Parte da região metropolitana de Natal, Parnamirim vive um crescimento econômico, especialmente no setor imobiliário, de causar inveja a outros municípios do Rio Grande do Norte. A explicação está, a princípio, na proximidade com o centro da capital. A grande oferta de novos empreendimentos e os preços mais acessíveis atraíram moradores de Natal para a cidade vizinha. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2000 e 2010, o número de domicílios particulares em Parnamirim passou de 7.136 para 21.192, enquanto a população aumentou de 24.952 para 54.076 pessoas. Hoje, chega a quase 215 mil moradores.

O Produto Interno Bruto (PIB) pulou de R$ 404,6 milhões em 2009 para R$ 2,96 bilhões em 2012, registrando a terceira posição no ranking estadual. Parnamirim é considerado o município mais urbanizado do Rio Grande do Norte, registrando o mais alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), à frente até mesmo da capital. Segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano 2013 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o município é também o primeiro no ranking estadual do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), com crescimento de 21,78% nos indicadores de renda, saúde e educação entre 2000 e 2010.

O prefeito Maurício Marques (PDT) gosta de lembrar que Parnamirim deixou de ser conhecida como “cidade dormitório” de Natal para se transformar numa “terra de oportunidades”. O crescimento atraiu grandes investidores, como redes de supermercados, shoppings, lojas e a indústria de materiais de construção. E foi acompanhado por ações da prefeitura em parceria com o governo federal nas áreas de infraestrutura, geração de emprego e assistência social.

A charmosa Carmópolis (esq.) tem projeto de casas populares; Parnamirim (abaixo)recebeu 47% das cotas de moradia do Minha Casa, Minha Vida do Rio Grande do Norte

A charmosa Carmópolis (esq.) tem projeto de casas populares; Parnamirim (abaixo)recebeu 47% das cotas de moradia do Minha Casa, Minha Vida do Rio Grande do Norte

Na área de habitação, que obteve a maior classificação no ranking do anuário As Melhores Cidades do Brasil para cidades de grande porte, foram construídos cerca de 4 mil apartamentos para a população com renda de até três salários mínimos, com recursos do programa Minha Casa, Minha Vida, financiados pela Caixa Econômica Federal.

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Parnamirim teve 47% das cotas de moradias destinadas ao Rio Grande do Norte pelo Minha Casa, Minha Vida, a maior porcentagem do estado. A prefeitura isentou as construtoras do pagamento do Imposto sobre Serviços (ISS) desde que, em contrapartida, contratassem mão de obra local para trabalhar nos empreendimentos. Com isso, calcula o prefeito, foram gerados mais de 2,5 mil empregos diretos. Já os contemplados com os imóveis tiveram isenção de dez anos no pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). “Considerei um investimento porque atraiu mais pessoas, que vieram morar aqui e consumir e as grandes empresas que estão construindo vão pagar impostos”, afirma Maurício Marques.

Para manter esses atrativos, o prefeito reeleito afirma que, de 2009 a 2013, foram investidos R$ 168,5 milhões em mais de 1 milhão de metros quadrados de ruas pavimentadas e iluminação pública. Estão garantidos recursos da ordem de R$ 184 milhões por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2, do governo federal. E novos investimentos na expansão e melhoria do serviço de coleta de lixo e na melhoria do trânsito, que cresceu enormemente com a quantidade maior de veículos em circulação.

“Em 2003, com a logística do aeroporto, que fica próximo da cidade, começaram a aparecer novos empreendimentos em Lagoa Santa”

Fernando Pereira  Gomes Neto, prefeito de Lagoa Santa

A única frustração foi a desativação do principal aeroporto do estado no ano passado, cujas operações comerciais foram transferidas para São Gonçalo do Amarante, o que significou a perda de 1.200 empregos. A cidade continua sendo a sede do Centro de Lançamento de Foguetes da Barreira do Inferno, primeira base do tipo do País. E abriga pontos turísticos como o maior cajueiro do mundo e as praias de Cotovelo e Pirangi do Norte, além de shows e eventos musicais.

Efeito catapulta

Não é exagero dizer que quem conhece a pacata cidade de Lagoa Santa, em Minas Gerais, quer voltar. Localizada a 35 quilômetros de distância da capital Belo Horizonte, a cidade é uma espécie de balneário, uma extensão de moradia dos mineiros. A intimidade dos mineiros com Lagoa Santa foi uma espécie de efeito catapulta para os excelentes índices habitacionais alcançados pela cidade, apontada pelo anuário As Melhores Cidades do Brasil como líder no subgrupo Habitação, comparada aos seus pares de médio porte.

O médico Fernando Pereira Gomes Neto (PSB), atual prefeito de Lagoa Santa, foi um dos que migraram para a cidade contaminado pela beleza natural e pela possibilidade de uma vida rupestre, sustentável, mas sem abrir mão das facilidades da metrópole em seu entorno. “Temos vegetação, hidrografia, o próprio nome da cidade é em função da lagoa central. A ocupação dos espaços aqui sempre considerou preservar essas belezas naturais, o que tornou Lagoa Santa uma espécie de balneário de Belo Horizonte (BH). Muitas pessoas da capital tinham casa na cidade até a década de 1980”, explica.

Com uma população de quase 55 mil habitantes, Lagoa Santa tornou-se ainda mais cobiçada pelo setor imobiliário a partir do desenvolvimento do aeroporto de Confins (Tancredo Neves). “Lembro-me de que, em 1984, foi realizado o primeiro voo da Vasp vindo de São Paulo para Confins”, diz o prefeito. “A proposta era criar um aeroporto internacional para a demanda do estado.”

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Em 2003, no governo Aécio Neves, ampliaram-se os voos comerciais, antes feitos pelo aeroporto da Pampulha, distante 22 quilômetros de Lagoa Santa. “Foi nesse momento que novos empreendimentos começaram a estourar na cidade, com a logística do aeroporto, que fica praticamente a 7 quilômetros da cidade”, lembra Gomes Neto.

As iniciativas foram de bairros planejados para a classe média, passando por projetos sociais para a população de baixa renda da cidade, com recursos do governo federal (Minha Casa, Minha Vida). O prefeito explica que essa conjugação de fatores fez com que se pudessem ofertar moradias confortáveis, particularmente para um consumidor de alto poder aquisitivo, em uma cidade bastante aprazível.

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“Estamos a 800 metros de altitude, 230 quilômetros quadrados de área em uma região repleta de cavernas, de belezas naturais intocadas”, lembra o prefeito. “O aeroporto de Confins e essa proximidade com a natureza contribuíram para uma melhoria no setor de habitação nos últimos anos”, conclui Gomes Neto.

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